Hoje eu parto, sei lá para onde
Talvez vá para onde nasça o rio
Ou quem sabe onde o Sol de esconde
Hoje eu parto sem endereço
Talvez more no fim do arco-íris
Ou quem sabe seja no começo
Hoje eu parto, sem levar bagagem
Provando que o apego ao valor material
É apenas uma bobagem
Hoje eu parto sem arrependimento
E por essa liberdade eu até pago um preço alto
Eu me arrebento
Hoje eu parto sem ter retorno
E todas as mágoas eu deixo para trás
Eu as abandono
Hoje eu parto com todo o meu desprendimento
E por mais que eu sofra
Nunca haverá nenhum arrependimento
Rejane Luz de Carvalho
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Amor em preto e branco
Há muitos e muitos anos atrás
Um belo e alinhado rapaz
Filho do senhor da fazenda
Muito rico, com muita renda
Olhou nos olhos de uma linda escrava
Que um simples vestido branco trajava
Dela logo se enamorou...
E perdidamente se apaixonou
O amor tornou-se forte e evidente
E logo foi descoberto por muita gente.
O senhor ordenou que o rapaz viajasse
E com ela jamais se encontrasse
Mas na capital, na cidade
O moço quase morre de saudade...
O rapaz italiano lá ficou por quase um ano
E resolveu voltar logo, sem ter engano
Armando um plano de amor ousado
Cuidando para que nada desse errado
Embrenhando-se na mata, numa fuga alucinada
Levou consigo sua mulher amada
Casaram-se, e ele logo foi deserdado
E por seu pai jamais foi perdoado
Ao escrever isto, não sei se me emociono
Ou sinto dó...
Pois essa é a verdadeira história da minha avó
(Rejane Luz de Carvalho)
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Infância
Quisera eu ser uma criança
Pular os galhos de uma árvore qualquer
Comer os fruto doces do quintal do vizinho
Sem ter que pagar um tostão se quer
Correr, pular, cantar, ser irreverente
E depois sorrir...
Inventar uma brincadeira
Pular amarelinha
Ou talvez roubar uma galinha
Depois inocentemente
Desfolhar o mal-me-quer
Pensar na fada madrinha
Que com sua varinha
Me dará tudo o que eu quiser
Quisera eu ser uma criança
E não somente uma mulher.
(Rejane Luz de Carvalho)
Céu dos Pampas
Como é bonito o céu dos meus pampas
Estrelas como lá aparecem
Não brilham tanto como qualquer outro lugar
Como eu poderia então deixar de te admirar?
Lá o céu é mais anil
Dando mais ênfase e um ar varonil
E quando a noitinha se saí à rua
E fica-se assim admirando a lua
Tem-se a impressão de que a lua dança
Dança como bailarina
Sobre um manto de purpurina
É lá onde as estrelas brilham mais
E o céu é mais azul
Onde encontramos o cruzeiro do sul
Disposto em formato de cruz
E ao ficar assim a contemplá-lo
Sentimo-nos absorvidos por um facho de luz.
(Rejane Luz de Carvalho)
A te esperar
Sentada em meio essa tarde cinza e fria
Sinto-me desesperadamente vazia
Sinto-me insignificante e só
E na garganta somente um nó
Fico indecisa e duvidosa
Precisaria hoje de uma boa prosa
Talvez precisasse me confessar
Ou simplesmente te amar...
E aqui mesmo eu vou ficar
Sentada a te esperar
Talvez você nunca volte
Mas quem sabe com um poco de sorte!
Sei que é quase impossível
Mas o nosso amor foi tão incrível...
Foi não, ainda o é
Ao menos da minha parte
E só de pensar em nunca mais tê-lo
Em meus braços, o coração me parte
Esse amor foi tão louco e tão bonito
Foi maior eu sei que o infinito
Não consigo nem pensar ter sido pra você
Apenas uma aventura
Mesmo que por ventura...
Se um dia pudéssemos nos tocar
Ou ao menos nos falar
Tenho certeza que viria á tona
Esse sentimento a tanto tempo recalcado
E nos amaríamos sem pensar em
Ressentimentos ou pecado.
(Rejane Luz de Carvalho)
Imperfeito
Se formos pensar a fundo
Nada é totalmente bom nesse mundo
Mas também nada é totalmente mau
A começarmos da natureza
Vemos a chuva, que beleza...
Molhando a terra
Fazendo brotar o milharal
Mas é também essa mesma chuva
Que causa-nos tanto mal
Arrastando tudo nas enchentes
E de repente, tudo se foi; bau bau...
O sol que maravilha!...
Quando nos aquece, e uma tentação
Na lavoura nem se fala
Como faz bem a plantação
Mas esse sol que é tão bonito
Tornou-se agora um vilão
Quando intenso e escaldante
Torra e mata no sertão
O vento que gostosura
Nos refresca, que loucura!...
Mas também quando resolve
Fazer-se forte, um furação
Varre tudo numa cidade
Sem dó e sem piedade
Assim por diante
Tudo na vida é assim
Nem tão bom, nem tão ruim
Se tudo é assim e não tem jeito
Por que eu tenho de ser perfeito?
(Rejane Luz de Carvalho)
domingo, 25 de dezembro de 2011
Ciúme
Ciúme que me cutuca
Que me machuca
E me deixa na sinuca
Ciúme que me envolve
Que me dissolve
Mas não resolve
Me desespera
Nessa espera
Sem condição
De me impor
E me repor
Em teu coração
Ciúme do teu pensamento
E eu me arrebento
De confusão
Tentando ser
E aparecer
Nessa confissão
É o ciúme que me maltrata
E te desacata
Sem perceber
Que é esse ciúme
Que é esse ciúme
Que fará um dia
Eu te perder...
(Rejane Luz de Carvalho)
O Amanhecer
Amanhece o dia
Lindo, claro e radiante
Os pássaros cantam e pulam saltitantes
Voam felizes em bando, na algazarra
Em terem o Sol como amante
Voam, voam indefinidamente
Anunciando o dia à todos
Ao pobre, ao rico, ao retirante
As portas e as janelas se abrem
As pessoas se achegam hesitantes
E os pássaros gritam:
Vamos, vamos, acordem...
O dia já amanheceu
Alegrem-se, avante...!
(Rejane Luz de Carvalho)
Menino de Rua
Menino na rua
É minha e é tua
A bola da vez
Vidraça quebrada
Jogando pelada
Na minha calçada
Garoto da lua
Não é minha, e é tua
A droga da vez
Trocou a alegria
Por uma sacola
E um pote de cola
Menino de rua
Não é minha nem tua
A mãe que te fez.
(Rejane Luz de Carvalho)
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Vem
Vem com esse seu jeito, de mansinho
Vem cruzar o meu caminho
Vem me fazer um carinho
Vem de um modo não suposto
Vem, não me causa esse desgosto
Vem que eu gosto do teu gosto
Vem embalar o meu cansaço
Vem sem muito embaraço
Vem me envolver no teu abraço
Vem curar o meu despeito
Vem encostar-se no meu peito
Vem que eu gosto do teu jeito
Vem que é tudo que eu almejo
Vem me dar desse teu beijo
Vem saciar o meu desejo
Vem, vem bem forte me apertar
Vem em meu ouvido sussurrar
Vem loucamente me amar, vem...
(Rejane Luz de Carvalho)
(Rejane Luz de Carvalho)
Saudade
Ah... Essa dor doída
Essa dor sentida
Esse baixo astral
Essa noite chocha
Que me deixa roxa
Que me faz um mal
Ah essa saudade louca
Que me deixa rouca
Que me dá um nó
Me deixa assim perdida
E de mal com a vida
De viver tão só
Eu acho que enlouqueço
E sei que não mereço
Um destino assim
Se tu não voltares
Se não der os ares
O que será de mim?
( Rejane Luz de Carvalho )
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Lágrima Escondida
Vou sair por aí para disfarçar a tristeza; fazer tudo de novo, vou virar a mesa.
Quero tentar amar novamente, viver a vida de um modo diferente.
Esquecer o meu desencanto, e no véu do tempo enxugar o meu pranto.
Vou tentar engolir o nó da garganta e sorrir. Brincar de felicidade sem piscar os
olhos, pra lágrima escondida não escorregar e cair.
Quero adormecer o sonho em que sonhei sozinha; entrando numa viajem que foi só minha.
Vou tentar acreditar que ainda tenho um amor, pra amortecer e aliviar a dor.
Vou fingir que não houve apenas desamor e ingratidão.
Imaginar que um anjo lindo em meio as minhas preces, aparece, e me resgata
segurando a minha mão.
Quero tentar amar novamente, viver a vida de um modo diferente.
Esquecer o meu desencanto, e no véu do tempo enxugar o meu pranto.
Vou tentar engolir o nó da garganta e sorrir. Brincar de felicidade sem piscar os
olhos, pra lágrima escondida não escorregar e cair.
Quero adormecer o sonho em que sonhei sozinha; entrando numa viajem que foi só minha.
Vou tentar acreditar que ainda tenho um amor, pra amortecer e aliviar a dor.
Vou fingir que não houve apenas desamor e ingratidão.
Imaginar que um anjo lindo em meio as minhas preces, aparece, e me resgata
segurando a minha mão.
(Rejane Luz de Carvalho)
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
O Encontro
Te procurei em todos os lugares
No meio das ruas e em todos os bares
Te procurei lamuriosa
No meio de espinhos, no canteiro das rosas
Te procurei no infinito
Em rostos estranhos e caras bonitas
Te procurei nas estrelas
Contando uma a uma, tentando detê-las
Te procurei no futuro e no passado
Visualizando você do meu lado
Te encontrei no presente
Tão simples no meio da gente
No meio das ruas e em todos os bares
Te procurei lamuriosa
No meio de espinhos, no canteiro das rosas
Te procurei no infinito
Em rostos estranhos e caras bonitas
Te procurei nas estrelas
Contando uma a uma, tentando detê-las
Te procurei no futuro e no passado
Visualizando você do meu lado
Te encontrei no presente
Tão simples no meio da gente
(Rejane Luz de Carvalho)
sábado, 4 de dezembro de 2010
Dissimulação
Quem me vê assim, tão radiante
Rosto pintado, boca de carmim
Não pensaria nem por um instante
O que vai dentro de mim
De passos firmes e cabeça erguida
Trago no peito uma enorme ferida
Ninguém imagina que dentro desse corpo riste
Bate um coração magoado e triste
Assim eu sigo em frente
Fingindo estar sempre contente
Vou levando a vida assim
Dissimulando e enganando a mim...
Rosto pintado de felicidade
Para que ninguém nunca saiba a verdade
(Rejane Luz de Carvalho)
O Vento
Na madrugada mansa
Ninguém nas ruas
Somente o vento dança
Baila, baila, louco e desvairado
Como a exibir sua liberdade
Como a dizer:
Olhe, veja como sou forte
Como sou livre
Posso ir e vir a todos os lugares
Posso bater todas as portas
E entrar em todos os bares
Posso erguer vestes
E até derrubar a pose da rainha rosa
Fazê-la dobrar-se
Até quase tocar o chão
Posso derrubar dunas de areia
E também bater nas faces
Sem precisar de mãos
(Rejane Luz de Carvalho)
Andarilho
Envolto no manto dessa noite escura
Somente ouço os meus próprios passos
Cabeça baixa e de mãos nos bolsos
Não levo nada, só o meu cansaço
Sinto vontade de falar baixinho
E cantarolo qualquer canção
Olhando o cinza da calçada
Vejo que não mudou nada
E acelera meu coração
Ando sem rumo, sem endereço
Aonde vou, eu nem mesmo sei
Só sei que no fim dessa longa estrada
Estarei sozinho comigo mesmo
E mais nada...
(Rejane Luz de Carvalho)
(Rejane Luz de Carvalho)
domingo, 28 de novembro de 2010
Menino
Menino travesso,
Que me vira do avesso e me faz levitar.
Menino sapeca,
Que erra e que peca, dizendo me amar.
Menino traquina,
Que dobra a esquina, sem se despedir.
Menino moleque,
Que precisa de um breque, pra não me ferir.
Menino tirano,
Com gosto cigano, não cria raiz.
Menino afoito,
Que briga e que xinga, e não sabe o porquê.
Menino danado,
Você está errado, pois eu amo você.
(Rejane Luz de Carvalho)
O Louco
Ele pulava como se o chão estivesse quente...
O brilho molhado dos olhos refletia as luzes da avenida
Sua voz era rouca e baixa como um lamento
Balbuciava sons em meio ao ranger dos dentes
E cada vez mais e mais juntava gente
Uns desconjuravam e outros riam
Alguns até mesmo cuspiam
E em meio ao frenesi de sua valsa louca,
Seus olhos brilhavam
Era o brilho que refletia o espelho de sua alma
Não havia mais compromisso com a sociedade
Não existia nele nem mais um traço de vaidade
Acabaram-se enfim todos os laços com a realidade
E alguém ao longe dizia
É apenas um louco no auge da insanidade !
(Rejane Luz de Carvalho)
Gaivota
Quisera ser uma gaivota
Voar ao alto, bem sobre o mar
Andar em bando, na alegria
Gritar bem alto o meu grasnar
Sentir nas asas a liberdade
De nunca precisar voltar
Sem bagagens, nem endereço
Apenas um ninho pra descansar
Num vôo rasante, e num instante
De alguns peixes me alimentar
Deixar que o vento me acaricie
Pro céu e as nuvens eu contemplar
Quisera ser uma gaivota
Para voar, voar, voar...
(Rejane Luz de Carvalho)
Camaleão
Às vezes sou só alegria, sou festa, carnaval, fantasia
Ás vezes sou morte, tristeza e nostalgia
Há dias que sou vida, canto, danço, renasço, refloresço
Em outros me fecho, choro, vou murchando; quase desapareço
Tem momentos que sou criança feliz, pura, sou água transparente
Em outros, águas escuras, sombrias...
Aí eu sofro desesperadamente.
Passeio então pelos estreitos vales da morte
Mas de repente ressuscito das cinzas
E novamente me sinto viva e forte...
Quem serei eu então?
Serei eu um camaleão?
Ou apenas alguém que vive todos os momentos
Com muita intensidade e emoção!
Ás vezes sou morte, tristeza e nostalgia
Há dias que sou vida, canto, danço, renasço, refloresço
Em outros me fecho, choro, vou murchando; quase desapareço
Tem momentos que sou criança feliz, pura, sou água transparente
Em outros, águas escuras, sombrias...
Aí eu sofro desesperadamente.
Passeio então pelos estreitos vales da morte
Mas de repente ressuscito das cinzas
E novamente me sinto viva e forte...
Quem serei eu então?
Serei eu um camaleão?
Ou apenas alguém que vive todos os momentos
Com muita intensidade e emoção!
(Rejane Luz de Carvalho)
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