sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Amor em preto e branco


Há muitos e muitos anos atrás
Um belo e alinhado rapaz 
Filho do senhor da fazenda
Muito rico, com muita renda
Olhou nos olhos de uma linda escrava
Que um simples vestido branco trajava
Dela logo se enamorou...
E perdidamente se apaixonou
O amor tornou-se forte e evidente
E logo foi descoberto por muita gente.
O senhor ordenou que o rapaz viajasse
E com ela jamais se encontrasse
Mas na capital, na cidade
O moço quase morre de saudade...
O rapaz italiano lá ficou por quase um ano
E resolveu voltar logo, sem ter engano
Armando um plano de amor ousado
Cuidando para que nada desse errado
Embrenhando-se na mata, numa fuga alucinada
Levou consigo sua mulher amada
Casaram-se, e ele logo foi deserdado
E por seu pai jamais foi perdoado
Ao escrever isto, não sei se me emociono
Ou sinto dó...
Pois essa é a verdadeira história da minha avó

(Rejane Luz de Carvalho)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Infância


Quisera eu ser uma criança
Pular os galhos de uma árvore qualquer
Comer os fruto doces do quintal do vizinho
Sem ter que pagar um tostão se quer
Correr, pular, cantar, ser irreverente
E depois sorrir...
Inventar uma brincadeira
Pular amarelinha
Ou talvez roubar uma galinha
Depois inocentemente
Desfolhar o mal-me-quer
Pensar na fada madrinha
Que com sua varinha
Me dará tudo o que eu quiser
Quisera eu ser uma criança
E não somente uma mulher.

(Rejane Luz de Carvalho)

Céu dos Pampas


Como é bonito o céu dos meus pampas 
Estrelas como lá aparecem
Não brilham tanto como qualquer outro lugar
Como eu poderia então deixar de te admirar?
Lá o céu é mais anil
Dando mais ênfase e um ar varonil
E quando a noitinha se saí  à rua
E fica-se assim admirando a lua
Tem-se a impressão de que a lua dança
Dança como bailarina
Sobre um manto de purpurina
É lá onde as estrelas brilham mais
E o céu é mais azul
Onde encontramos o cruzeiro do sul
Disposto em formato de cruz
E ao ficar assim a contemplá-lo
Sentimo-nos absorvidos por um facho de luz.

(Rejane Luz de Carvalho)

A te esperar


Sentada em meio essa tarde cinza e fria
Sinto-me desesperadamente vazia
Sinto-me insignificante e só
E na garganta somente um nó
Fico indecisa e duvidosa
Precisaria hoje de uma boa prosa
Talvez precisasse me confessar
Ou simplesmente te amar...
E aqui mesmo eu vou ficar
Sentada a te esperar
Talvez você nunca volte
Mas quem sabe com um poco de sorte!
Sei que é quase impossível
Mas o nosso amor foi tão incrível...
Foi não, ainda o é
Ao menos da minha parte
E só de pensar em nunca mais tê-lo
Em meus braços, o coração me parte
Esse amor foi tão louco e tão bonito
Foi maior eu sei que o infinito
Não consigo nem pensar ter sido pra você
Apenas uma aventura
Mesmo que por ventura...
Se um dia pudéssemos nos tocar
Ou ao menos nos falar
Tenho certeza que viria á tona
Esse sentimento a tanto tempo recalcado
E nos amaríamos sem pensar em 
Ressentimentos ou pecado.

(Rejane Luz de Carvalho)

Imperfeito


Se formos pensar a fundo
Nada é totalmente bom nesse mundo
Mas também nada é totalmente mau
A começarmos da natureza
Vemos a chuva, que beleza...
Molhando a terra 
Fazendo brotar o milharal
Mas é também essa mesma chuva
Que causa-nos tanto mal
Arrastando tudo nas enchentes
E de repente, tudo se foi; bau bau...
O sol que maravilha!...
Quando nos aquece, e uma tentação
Na lavoura nem se fala
Como faz bem a plantação
Mas esse sol que é tão bonito
Tornou-se agora um vilão
Quando intenso e escaldante
Torra e mata no sertão
O vento que gostosura
Nos refresca, que loucura!...
Mas também quando resolve
Fazer-se forte, um furação
Varre tudo numa cidade
Sem dó e sem piedade
Assim por diante
Tudo na vida é assim
Nem tão bom, nem tão ruim
Se tudo é assim e não tem jeito
Por que eu tenho de ser perfeito?

(Rejane Luz de Carvalho)

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ciúme



Ciúme que me cutuca
Que me machuca
E me deixa na sinuca
Ciúme que me envolve
Que me dissolve
Mas não resolve
Me desespera
Nessa espera 
Sem condição
De me impor
E me repor
Em teu coração
Ciúme do teu pensamento
E eu me arrebento
De confusão
Tentando ser
E aparecer
Nessa confissão
É o ciúme que me maltrata
E te desacata
Sem perceber
Que é esse ciúme
Que fará um dia
Eu te perder...

(Rejane Luz de Carvalho)

O Amanhecer


Amanhece o dia
Lindo, claro e radiante
Os pássaros cantam e pulam saltitantes
Voam felizes em bando, na algazarra
Em terem o sol como amante
Voam, voam indefinidamente
Anunciando o dia à todos
Ao pobre, ao rico, ao retirante
As portas e as janelas se abrem
As pessoas se achegam hesitantes
E os pássaros gritam:
Vamos, vamos, acordem...
O dia já amanheceu
Alegrem-se, avante...!

(Rejane Luz de Carvalho)