segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Imperfeito


Se formos pensar a fundo
Nada é totalmente bom nesse mundo
Mas também nada é totalmente mau
A começarmos da natureza
Vemos a chuva, que beleza...
Molhando a terra 
Fazendo brotar o milharal
Mas é também essa mesma chuva
Que causa-nos tanto mal
Arrastando tudo nas enchentes
E de repente, tudo se foi; bau bau...
O sol que maravilha!...
Quando nos aquece, e uma tentação
Na lavoura nem se fala
Como faz bem a plantação
Mas esse sol que é tão bonito
Tornou-se agora um vilão
Quando intenso e escaldante
Torra e mata no sertão
O vento que gostosura
Nos refresca, que loucura!...
Mas também quando resolve
Fazer-se forte, um furação
Varre tudo numa cidade
Sem dó e sem piedade
Assim por diante
Tudo na vida é assim
Nem tão bom, nem tão ruim
Se tudo é assim e não tem jeito
Por que eu tenho de ser perfeito?

(Rejane Luz de Carvalho)

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ciúme



Ciúme que me cutuca
Que me machuca
E me deixa na sinuca
Ciúme que me envolve
Que me dissolve
Mas não resolve
Me desespera
Nessa espera 
Sem condição
De me impor
E me repor
Em teu coração
Ciúme do teu pensamento
E eu me arrebento
De confusão
Tentando ser
E aparecer
Nessa confissão
É o ciúme que me maltrata
E te desacata
Sem perceber
Que é esse ciúme
Que fará um dia
Eu te perder...

(Rejane Luz de Carvalho)

O Amanhecer


Amanhece o dia
Lindo, claro e radiante
Os pássaros cantam e pulam saltitantes
Voam felizes em bando, na algazarra
Em terem o Sol como amante
Voam, voam indefinidamente
Anunciando o dia à todos
Ao pobre, ao rico, ao retirante
As portas e as janelas se abrem
As pessoas se achegam hesitantes
E os pássaros gritam:
Vamos, vamos, acordem...
O dia já amanheceu
Alegrem-se, avante...!

(Rejane Luz de Carvalho)

Menino de Rua


Menino na rua
É minha e é tua 
A bola da vez
Vidraça quebrada 
Jogando pelada 
Na minha calçada
Garoto da lua
Não é minha, e é tua
A droga da vez 
Trocou a alegria
Por uma sacola
E um pote de cola
Menino de rua
Não é minha nem tua
A mãe que te fez.

(Rejane Luz de Carvalho)


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Vem


Vem com esse seu jeito, de mansinho 
Vem cruzar o meu caminho
Vem me fazer um carinho

Vem de um modo não suposto
Vem, não me causa esse desgosto
Vem que eu gosto do teu gosto 

Vem embalar o meu cansaço 
Vem sem muito embaraço 
Vem me envolver no teu abraço 

Vem curar o meu despeito 
Vem encostar-se no meu peito
Vem que eu gosto do teu jeito

Vem que é tudo que eu almejo 
Vem me dar desse teu beijo 
Vem saciar o meu desejo 

Vem, vem bem forte me apertar 
Vem em meu ouvido sussurrar
Vem loucamente me amar, vem...

(Rejane Luz de Carvalho)
                                               

Saudade



Ah... Essa dor doída
Essa dor sentida
Esse baixo astral

Essa noite chocha
Que me deixa roxa
Que me faz um mal

Ah essa saudade louca
Que me deixa rouca
Que me dá um nó

Me deixa assim perdida
E de mal com a vida
De viver tão só

Eu acho que enlouqueço
E sei que não mereço
Um destino assim

Se tu não voltares
Se não der os ares
O que será de mim?

( Rejane Luz de Carvalho )

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Lágrima Escondida



Vou sair por aí para disfarçar a tristeza; fazer tudo de novo, vou virar a mesa.
Quero tentar amar novamente, viver a vida de um modo diferente.
Esquecer o meu desencanto, e no véu do tempo enxugar o meu pranto.
Vou tentar engolir o nó da garganta e sorrir. Brincar de felicidade sem piscar os
olhos, pra lágrima escondida não escorregar e cair.
Quero adormecer o sonho em que sonhei sozinha; entrando numa viajem que foi só minha.
Vou tentar acreditar que ainda tenho um amor, pra amortecer e aliviar a dor.
Vou fingir que não houve apenas desamor e ingratidão.
Imaginar que um anjo lindo em meio as minhas preces, aparece, e me resgata
segurando a minha mão.

(Rejane Luz de Carvalho)